terça-feira, 5 de agosto de 2008

31/07/2008



por Mariana Piza

Por alguma falta de comunicação, Neca e Estela não sabiam que haveria deficientes mentais na aula de hoje, e iniciaram o encontro com exercícios que demandavam muita atenção. Resultado: alguns participantes não conseguiram entrar no jogo.

Logo elas perceberam que o Todo não existia, (letra T maiúscula porque este é o grande lance) e mudaram todos os exercícios previstos. Então, Toda a sala dançou!

Na técnica DanceAbility, os exercícios devem incluir qualquer pessoa que esteja na sala. E, não é porque tem gente na sala que experimenta o mundo diferente, que os exercícios são mais fáceis ou são exclusivamente feitos para eles. Não. São outros exercícios, instigantes para qualquer pessoa.

Nas mínimas indicações durante os exercícios, também podemos observar o cuidado de incluir Todos. Neca sempre diz coisas do tipo: “Quem puder, fique em pé”, “Faça um movimento rápido, o que quer que seja rápido para você”, ou ainda “Sinta seu peso indo para o chão, ou para a cadeira”. Enfim, não exclui ninguém mesmo. O DanceAbility busca um denominador comum entre Todos que estão participando do encontro.

Inclusão aqui, não é só do deficiente físico ou mental. A inclusão no DanceAbility acontece com todo mundo. Eu era excluída deste Todo, até mergulhar neste trabalho. Como uma veia que faz parte do sistema circulatório, mas por onde não circula sangue. Eu achava que era incluída, mas não era. Uma sociedade cujo cidadão tem contato somente com uma forma de se locomover, de falar, de pensar, é certamente doente, privada do Todo. É só neste Todo que encontramos a famosa DIVERSIDADE. E, quanto mais diverso o grupo, mais Humana a relação pode ser.

A partir de agora, me proponho a fazer um exercício diário de relembrar que faço parte da HUMANIDADE. Com toda a minha particularidade, sou parte de um denominador comum.


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