segunda-feira, 11 de agosto de 2008

07/08/2008

Por Mariana Piza

Algumas são árvores do serrado, contorcidas ancestralmente, poderosas na sua solidão, expandem seus movimentos para além do espaço visível. Esbanjam energia, aparentemente descontrolada, involuntária. Giram o pescoço para trás e viram peixe, torcem as mão para dentro com uma imperativa elegância. O sorriso abre no corpo.

Tem também árvores retas que abusam do seu tronco ereto para penderem para frente e para trás, sendo levadas pelo ar que permeia a terra. Algumas vezes, elas tentam se torcer como as do serrado mas, não alcançando o frescor do movimento, utilizam-se da sua agilidade para encantar quem observa.

Há grandes árvores cujas raízes estão plantadas na lua. Sua copa é virada de ponta-cabeça para a terra e solta frutos maduros e deliciosos. Frutos que vêm da lua, com cores fortes e sabor
particular. Quem está plantado na terra olha para cima para enxergá-las e espera o sabor chegar de boca aberta.

Um dia, pela manhã, tocaram a campainha da minha casa. Abri a janela para ver quem era e lá estavam elas, plantadas no meu jardim. Quando saí para o quintal tropecei num cartão que dizia: “observe e escreva”.

Recebi o presente. Olhei para a floresta e respirei fundo. Houve dia que foi noite, daquelas escuras, a sombra da árvore era mais negra do que o breu e assustava. Depois foi amanhecendo e a sombra da árvore foi ficando mais clara, mas ainda era longa no chão. O tempo foi passando e a sombra projetada foi diminuindo... chegou a hora do meio. Sol a pino. Era o que era. O ar sem vento. Nada mexia. Nem eu. Senti meus pés enraizando na terra, meus galhos indo para o céu. Deixei. Escrevi como foi pedido e publiquei no ar.

2 comentários:

Miss Kitchen disse...

as árvores somos nós

Thatiane Menendez disse...

Nossa Mari...que palavras mais lindas...estou emocionada... como te disse ontem não posso colocar em palavras oque sinto após ter compartilhado momentos tão maravilhosos com você e com todos do Danceability. Obrigada.