Por Mariana Piza
Algumas são árvores do serrado, contorcidas ancestralmente, poderosas na sua solidão, expandem seus movimentos para além do espaço visível. Esbanjam energia, aparentemente descontrolada, involuntária. Giram o pescoço para trás e viram peixe, torcem as mão para dentro com uma imperativa elegância. O sorriso abre no corpo.
Tem também árvores retas que abusam do seu tronco ereto para penderem para frente e para trás, sendo levadas pelo ar que permeia a terra. Algumas vezes, elas tentam se torcer como as do serrado mas, não alcançando o frescor do movimento, utilizam-se da sua agilidade para encantar quem observa.
Há grandes árvores cujas raízes estão plantadas na lua. Sua copa é virada de ponta-cabeça para a terra e solta frutos maduros e deliciosos. Frutos que vêm da lua, com cores fortes e sabor
particular. Quem está plantado na terra olha para cima para enxergá-las e espera o sabor chegar de boca aberta.
Um dia, pela manhã, tocaram a campainha da minha casa. Abri a janela para ver quem era e lá estavam elas, plantadas no meu jardim. Quando saí para o quintal tropecei num cartão que dizia: “observe e escreva”.
Recebi o presente. Olhei para a floresta e respirei fundo. Houve dia que foi noite, daquelas escuras, a sombra da árvore era mais negra do que o breu e assustava. Depois foi amanhecendo e a sombra da árvore foi ficando mais clara, mas ainda era longa no chão. O tempo foi passando e a sombra projetada foi diminuindo... chegou a hora do meio. Sol a pino. Era o que era. O ar sem vento. Nada mexia. Nem eu. Senti meus pés enraizando na terra, meus galhos indo para o céu. Deixei. Escrevi como foi pedido e publiquei no ar.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
as árvores somos nós
Nossa Mari...que palavras mais lindas...estou emocionada... como te disse ontem não posso colocar em palavras oque sinto após ter compartilhado momentos tão maravilhosos com você e com todos do Danceability. Obrigada.
Postar um comentário