Hoje havia um grupo grande. A maioria dos convidados são alunos da Elaine Richter, uma aluna do núcleo didático. Na roda, quase quarenta pessoas, contando com as mães que vieram acompanhando seus filhos. Como sempre, Neca introduziu a aula em círculo e diz: “Nós estamos aqui para dançar juntos, isso não é terapia, é arte”. Quando a Neca disse ARTE, uma menina com uns 6 anos mais ou menos, abriu a boca de espanto e como quem ri, disse: “Arte” - e depois comemorou.
Senti uma energia diferente ao entrar na sala hoje. A vibração era em outro lugar. (Não sei se todos entendem isso, se não, desculpe, não tenho palavras para explicar. Neste lugar não existe o alfabeto). Fiquei novamente nervosa, com um frio na barriga. Perguntei à Estela se ela estava nervosa e ela disse que sim. Chegamos à conclusão que, mais do que apreensão, a sensação era de curiosidade, um frisson. Mais da metade dos convidados eram deficientes mentais.
Ramiro e Natalia estavam inspirados hoje, fizeram músicas estranhamente belas. Assim como os movimentos produzidos pelos alunos. Algumas vezes tive uma vontade louca de............................................................................
Havia uma das convidadas em uma cadeira de rodas. Não entendi a idade dela, vestia vestido, os braços longos, o rosto plácido, bonito. De tudo que havia para se reparar o que mais olhei foram seus olhos. E o que tinha lá dentro era de uma tristeza... Parecia
abandonada no seu pequeno corpo. Sua dor ficou comigo, na garganta. E é com essa sensação que escrevo este parágrafo.
Também tinha um moço de colete azul, parecia um personagem de Nelson Rodrigues, com um bigode no estilo anos cinqüenta. Figuríssima. Para tudo que acontecia a sua volta, ele tinha que emitir uma opinião. Sempre de braços cruzados, era o primeiro a se oferecer voluntariamente para demonstrar um exercício (suas propostas tinham um tom de ordem, quase irônico, engraçado). Dançando, seus movimentos eram livres dentro do seu limitado repertório.
Outra participante marcante foi uma criança que aparentemente era normal, mas sua dança não
era do seu tamanho. Seus movimentos espontâneos e desenvoltos ocupavam a sala inteira. Leve, maluco...
Interessante. De todos que escrevi até agora, este é o primeiro texto que compus praticamente inteiro em sala de aula. Será que deixei minha lógica normal fora da sala e escrevi com a vibração do mundo sem palavras?
Gostei.
Havia uma das convidadas em uma cadeira de rodas. Não entendi a idade dela, vestia vestido, os braços longos, o rosto plácido, bonito. De tudo que havia para se reparar o que mais olhei foram seus olhos. E o que tinha lá dentro era de uma tristeza... Parecia
Também tinha um moço de colete azul, parecia um personagem de Nelson Rodrigues, com um bigode no estilo anos cinqüenta. Figuríssima. Para tudo que acontecia a sua volta, ele tinha que emitir uma opinião. Sempre de braços cruzados, era o primeiro a se oferecer voluntariamente para demonstrar um exercício (suas propostas tinham um tom de ordem, quase irônico, engraçado). Dançando, seus movimentos eram livres dentro do seu limitado repertório.
Outra participante marcante foi uma criança que aparentemente era normal, mas sua dança não
Interessante. De todos que escrevi até agora, este é o primeiro texto que compus praticamente inteiro em sala de aula. Será que deixei minha lógica normal fora da sala e escrevi com a vibração do mundo sem palavras?
Gostei.
1 comentários:
OI MARIANA..MENINA DE MAR..COMO NOME ESCONDIDO DE ANA...VOU SENTINDO MINHAS LÁGRIMAS QUE CORREM NO MEU ROSTO, COMO GRITOS DE UMA DANÇA QUASE QUE PEQUENA E QUASE QUE TÃO GRANDE E ULTIMA..EU NÃO SEI..OUVINDO SUAS PALAVRAS TENHO VONTADE DE COLOCÁ-LA PRÓXIMA AS MINHAS MÃOS E LEV-ALA PARA DANÇAR..DANÇO COM SUA PALAVRAS E ME ENTOPE ALGO ESTRANHO NA GARGANTA, E PRETENDO NÃO DESENTUPIR POR UM LONGO TEMPO...SE AMA AS PALAAVRAS QUE ESCREVE..AMO-TE NO QUE DANÇO..
oBRIGADO.
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