Eu fui para aula um pouco apreensiva. Hoje é quinta-feira, dia de convidados. Quem será que vamos encontrar na aula? Nesta terça que passou, percebi que estou me sentindo mais a vontade com todos do núcleo didático. Percebo que o preconceito é fruto do não contato com algo diferente, uma reação ao desconhecido, enfim, a velha IGNORÂNCIA.
Hoje temos um novo grupo convidado. Neca e Estela conversam no canto da sala sobre os exercícios que vão dar na aula, enquanto os alunos vão entrando no espaço. É perceptível a apreensão e a concentração das duas. Deve ser porque hoje vêm alguns alunos com deficiência mental. E, como a própria técnica propõe, elas deverão achar exercícios que estabeleçam um denominador comum entre os participantes; só assim poderão dançar todos juntos. O grupo tem quase 30 pessoas.
“Nossa, olha! Tem uns andantes!” – Este foi o comentário de uma menina cadeirante convidada, quando chegou à sala de aula. Neca e Estela sorriram e relaxaram. Foi, sem dúvida alguma, a melhor aula até agora. Todos se entregaram profundamente aos exercícios e a harmonia foi fantástica.
Quando eu era criança e passava alguém na rua que era diferente de mim fisicamente, eu ficava olhando. Logo, minha observação era interrompida pela minha mãe, ou por qualquer adulto que estivesse me acompanhando, dizendo: “Mariana, pare de olhar. É feio. A pessoa pode se sentir mal”. Não conseguia entender muito isso, mas fingia, não sei bem para quem, que não olhava. Comentei com a Estela sobre isso e ela disse uma coisa ótima: “Se a gente não pode olhar quando é criança, feio fica depois”.
Hoje me sinto privilegiada de registrar estas aulas na minha alma. Que bom poder olhar, admirar, pesquisar, escrever sobre o que vejo, com a abertura e com o prazer de quem observa uma obra de arte.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
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1 comentários:
Mariana, gostei muito deste texto. Você fala dos incômodos, da apreensão, da ignorância... tudo isso faz parte de todos nós. Eu também queria estar sentindo isso junto com vocês. ahhhh, e o privilégio de ouvir Natália!!!! não tem igual. As vezes me incomoda o tom emocionado, porque sei que muitas vezes tudo é "menos" do que parece, quero dizer, mais simples e a emoção vem porque de certa forma bate na ignorância e, consequentemente, na piedade. Não é aí que tem que bater! Um beijo e continue compartilhando conosco essas lindezas.
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