quarta-feira, 16 de julho de 2008

03/07/2008 - quinta-feira

Eu fui para aula um pouco apreensiva. Hoje é quinta-feira, dia de convidados. Quem será que vamos encontrar na aula? Nesta terça que passou, percebi que estou me sentindo mais a vontade com todos do núcleo didático. Percebo que o preconceito é fruto do não contato com algo diferente, uma reação ao desconhecido, enfim, a velha IGNORÂNCIA.
Hoje temos um novo grupo convidado. Neca e Estela conversam no canto da sala sobre os exercícios que vão dar na aula, enquanto os alunos vão entrando no espaço. É perceptível a apreensão e a concentração das duas. Deve ser porque hoje vêm alguns alunos com deficiência mental. E, como a própria técnica propõe, elas deverão achar exercícios que estabeleçam um denominador comum entre os participantes; só assim poderão dançar todos juntos. O grupo tem quase 30 pessoas.
“Nossa, olha! Tem uns andantes!” – Este foi o comentário de uma menina cadeirante convidada, quando chegou à sala de aula. Neca e Estela sorriram e relaxaram. Foi, sem dúvida alguma, a melhor aula até agora. Todos se entregaram profundamente aos exercícios e a harmonia foi fantástica.
Quando eu era criança e passava alguém na rua que era diferente de mim fisicamente, eu ficava olhando. Logo, minha observação era interrompida pela minha mãe, ou por qualquer adulto que estivesse me acompanhando, dizendo: “Mariana, pare de olhar. É feio. A pessoa pode se sentir mal”. Não conseguia entender muito isso, mas fingia, não sei bem para quem, que não olhava. Comentei com a Estela sobre isso e ela disse uma coisa ótima: “Se a gente não pode olhar quando é criança, feio fica depois”.
Hoje me sinto privilegiada de registrar estas aulas na minha alma. Que bom poder olhar, admirar, pesquisar, escrever sobre o que vejo, com a abertura e com o prazer de quem observa uma obra de arte.

1 comentários:

Edu O. disse...

Mariana, gostei muito deste texto. Você fala dos incômodos, da apreensão, da ignorância... tudo isso faz parte de todos nós. Eu também queria estar sentindo isso junto com vocês. ahhhh, e o privilégio de ouvir Natália!!!! não tem igual. As vezes me incomoda o tom emocionado, porque sei que muitas vezes tudo é "menos" do que parece, quero dizer, mais simples e a emoção vem porque de certa forma bate na ignorância e, consequentemente, na piedade. Não é aí que tem que bater! Um beijo e continue compartilhando conosco essas lindezas.